
Carnaval • 16 de janeiro de 2026
Conheça os sambas-enredo da Série Prata do Carnaval 2026
Por Adriano Dias
Publicado em Atualizado em
35 min de leitura
A Série Prata do Carnaval 2026 promete emocionar o público com sambas-enredo que vão ecoar pela Intendente Magalhães nos dias 15 e 16 de fevereiro. Com entrada gratuita e acesso aberto a todos, os desfiles reafirmam o caráter democrático do Carnaval carioca, com moradores, foliões e visitantes a…
A Série Prata do Carnaval 2026 promete emocionar o público com sambas-enredo que vão ecoar pela Intendente Magalhães nos dias 15 e 16 de fevereiro. Com entrada gratuita e acesso aberto a todos, os desfiles reafirmam o caráter democrático do Carnaval carioca, com moradores, foliões e visitantes a vivenciar de perto a força criativa das Escolas de Samba.
A seguir, confira os sambas-enredo das agremiações que desfilam na Série Prata do Carnaval Rio 2026 e prepare-se para viver mais um capítulo da maior manifestação cultural do país:
Mocidade Unida do Santa Marta
A Agremiação de Botafogo abre os trabalhos na Intendente Magalhães com o enredo “Samba é a minha cachaça”, uma celebração da bebida símbolo da cultura popular brasileira e da figura do malandro, encerrando uma trilogia que reflete sobre a vida, suas contradições, afetos e resistências.
Autores: Dalton Batista da Cunha; Renan Uccelli Guedes Ferreira; Daniel Tavares Guimarães; Thales Henriques da Mata Nunes Ferreira; Hugo de Oliveira; Carlos José Nogueira; Breno Medeiros Adão; Enzo Mello Barroso Menucci.
Ó santa no engenho, injustiçada Água ardente nos tambores da senzala Abençoada no meu coração Que destila riquezas, fermenta revoltas da nação “Marvada” que beija a boca Deixa minha língua solta E a verdade no ar Protege dessa gente sem noção Queima a goela do alemão Que de nós, quer te roubar
Essa caninha, morena ou branquinha Faz meu corpo esquentar Se subir para a cabeça, vem e tira meu juízo Sem o samba atravessar
Nasceu mais um, desce mais uma A vida é festa, bebo até no gurifim E no botequim, a danada está no altar Nessa “batida” bebo até o sol raiar Chora, “pinga” a lágrima de dor Fiel é a cachaça, meu verdadeiro amor Otim, deste lado da encruza É a “pura” coragem da comunidade Sagrada manguaça, nada vai nos derrubar
Vem Santa Marta, num gole pra festejar Samba é minha cachaça, bebe pinga e vem sambar Samba é minha cachaça, bebe pinga e vem sambar
Arrastão de Cascadura
Segunda escola a desfilar no domingo, a Agremiação da Zona Norte do Rio levará o enredo "Cascadura se diverte nas culturas populares do Nordeste", explorando as belezas, tradições e fé nordestinas, com lançamento do samba-enredo e figurinos já em andamento, prometendo muita alegria e identidade na Avenida, destacando elementos como Candomblé, Senhor do Bonfim e Filhos de Gandi.
Autores: Franco Cava, Leonardo Bessa, Lucas Thierry e Marquinhos Silva
Ah...meu Nordeste Recanto do amor Arrastando o povo... eu vou São nove estrelas no céu da paixão um mar de alegria invade o sertão
Se avexe não Se achegue mais Pro lado mais bonito do meu Brasil Cabra da peste, lamparina, lampião Alumia o meu chão Mandacaru no agreste floriu Pano da costa bordado de mar Bato cabeça e peço licença no Gantois Senhor do Bomfim guie essa jornada Nessa terra abençoada Na força dos Orixás
Desce a ladeira...Frevança Em Pernambuco, Maracatu, canto e dança Pula fogueira, Capelinha de melão É lá na Paraíba o maior São João
E a beleza de Iracema Se faz poema no meu Ceará Em Juazeiro, Padim Ciço milagreiro Sou romeiro de joelhos à rezar Folguedos, Reisado me encantam Vaquejada e o Boi Bumbá Toca o Tambor de Mina Dança menina no Maranhão E num repente no altar desse terreiro Vejo tremular divino o meu pavilhão
Tubarão de Mesquita
Terceira escola a desfilar no domingo, a Tubarão vem com o enredo “Berta Ribeiro: da Praça Onze ao Coração da Floresta”, que conta a história de quem dedicou a vida à valorização da cultura, da arte e do conhecimento popular. A agremiação de Mesquita vai abordar suas raízes culturais, sua trajetória e suas contribuições para a sociedade.
Autores: Sérgio Fonseca e Tom Tom
Desembarcou neste mundo, meu Deus, Entre negros e judeus, quando ainda era criança. Cresceu, mudou, foi morar na Pauliceia, Porém não mudou de ideia nem perdeu a esperança. Pela mão do casamento, Achou alento, amor e paz. Entre os nativos, sem tirar os pés do chão, Decorou toda a lição dos saberes ancestrais.
Entre os Desana, Mergulhou de peito aberto E aprendeu que a alma humana É bem maior vista de perto.
Antes, o mundo não existia: Era um vazio existencial. Depois que veio a tecnologia, Não foi além do fogo e do metal. Daí, então, veio a tecnoeconomia De argila, pluma e palha natural. Tudo se trança e, às vezes, dá um nó: Tubarão, arte e ciência são uma coisa só.
Ave liberta! Ave Berta! Viva a vida! Salve o reino da floresta, Hoje, em festa, na avenida!
Renascer de Jacarepaguá
A escola da Zona Sudoeste será a quarta a desfilar no domingo de folia. Para este ano, a Renascer promete estabelecer uma conexão entre a obra de Dante Alighieri e o dia a dia do povo brasileiro, que enfrenta seus próprios infernos cotidianos. O enredo “A Divina Comédia Brasileira” propõe atravessar os porões de uma nação profunda, convidando o público a mergulhar nessa jornada.
Autores: Cláudio Russo, Carlinhos do Cavaco, Julinho Cá e Jefinho do Amaral
Na selva imensidão, Escuridão, concreto armado A infância na contramão Malabarista do sinal fechado Desassossego, desemprego e opressão Quem taxa a renda é a mordida do leão A loba é mãe da exploração faminta vil Como é que pode faltar o pão no Brasil!!! Conheço as letras que vão me iluminar Vou aprendendo para um dia ensinar
Tá no poder herói ou farsa A esperança não venceu Eu tenho medo desse mundo de trapaça Vá pro inferno aquele que já se vendeu
Retorno à lida, é a vida afinal Meu anjo me guia pra longe do mal Nas ruas emprego informal Saúde doente, manchete em jornal Chego ao paraíso Libertado pela educação Quatro dias de festa me acabo Ao povo o recado que há salvação
No país da ilusão é carnaval Vai rolar um bafafá O Renascer coloca a lenha na fogueira Deixo a comédia brasileira me levar
União do Parque Curicica
A quinta agremiação a desfilar no domingo de folia é a União do Parque Curicica, que levará para a avenida a vida e a obra de Arlindo Oliveira, artista que transformou os desafios da mente em cores, formas e histórias .No enredo “As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista”, a escola vai destacar o legado do artista e sua potência criativa.
Autores: Dudu Nobre, Victor Rangel, Dinho PQD, Jonathan Tenório, Renne Barbosa, Wagner Guerra, Herval Neto e Grassano
Meu bem, vim contar sua história, Uma insana trajetória, fruto da imaginação. A arte é vida, e a vida, um desatino, Um sublime desafio, Suburbana inspiração. Viajar e reviver as emoções, O afeto espanta o medo e liberta corações. O menino desperta sob o manto do saber, Estandarte de esperança em um novo amanhecer.
Um poema, um rosário, Tudo vai se transformar. O retrato mais bonito, aquarela multicor, Revoada sem amarras que jamais se imaginou.
Toca o violão, a inclusão, sonho meu. Entre oceanos e mandalas, O amor não se perdeu. Em Gaia, toda a sua criação, Universo singular. Arlindo, o seu legado não se apagará. Ao som do bolero, uma paixão, O Boi Diamante a eternizar. Saúde mental, uma conquista: Sua loucura é ser artista.
Na Colônia, o centenário é carnaval. Nessa avenida, vi o sonho acontecer. Bairro de loucos, você sabe onde fica: Curicica.
Independente da Praça da Bandeira
A chegada dos povos negros à região Nordeste é o tema central da Independente da Praça da Bandeira, sexta escola a desfilar neste dia.. No enredo “Grande Sertão Negro”, a Agremiação de São João de Meriti promete abordar, com irreverência e força cultural, a história dos africanos que ajudaram a formar uma das regiões mais importantes do país.
Autores: Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Raphael Gravino, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Breno Santos Amaral
É preto o Nordeste do meu país, Raiz da negritude se arraigou Nos mocambos do sertão E no porto de São Salvador. Vem de Angola, Congo, Benin e Guiné. Abará, acarajé, O tempero da baiana E o legado que forjou a nossa fé. Tem magia, tem axé… é herança africana.
Negro bate tambor… kizomba! Canto livre do quilombo é samba. Ê, malê… aprendi que resistir É honrar a luta de Mahin e de Zumbi.
O frevo ferve pelas ruas de Olinda, Maracatu onde a nobreza preta é linda. Bumba Meu Boi de Pai Francisco e Catirina, A resistência africana nos ensina E ecoa nas vozes do ijexá. É jeje, é yorubá, é toque de afoxé. Nordeste, a umbigada virou samba, Yaôs e gente bamba, Carnaval e candomblé.
No saveiro da Senhora, o presente vai pro mar. No saveiro da Senhora: Odoyá, Yemanjá! E a minha Praça da Bandeira sai do gueto Pra saudar o povo preto: Inaê, Mojubá!
Chatuba de Mesquita
A trajetória de Benedita da Silva será o tema central da Chatuba de Mesquita neste Carnaval. Com o enredo “Benedita do Povo”, a escola da Baixada Fluminense, sétima a desfilar no domingo, vai contar a história da primeira governadora negra do Brasil, ex-senadora e referência na luta por igualdade racial, justiça social e pelos direitos das mulheres.
Autores: Dudu Botelho, Leonardo Bessa, Franco Cava e Gabriel Chocolate
O Criador, Do barro fez surgir a vida. No ventre, o amor e a graça prometida, Forjada por seus ancestrais, Flor e essência da paz. Enfrentou o preconceito, Seguiu seu destino. A cor da noite é luz que emana Na pele retinta, Nobre herança africana.
Segue a missão… vamos à luta! É crença e fé de quem não se curva.
Cidade partida, ferida e feitor, Fundou o Partido do Trabalhador. Preta, favelada: sua identidade, Orgulho de ser da comunidade. No morro, o palanque, Sua casa, seu altar. Pelo povo eleita, Nasceu pra governar. Igualdade, justiça social, Sem medo de ser feliz. A voz que não cala contra a exploração: Primeira negra senadora do país!
Fome Zero, cultura, educação, Pelos mais humildes entregou seu coração.
É a força, é a raça, poder de mulher, Guerreira bendita, Bené. Chatuba é estrela no céu a brilhar, A esperança de quem vive pra lutar.
Vizinha Faladeira
A saga da reconexão do homem com o mar será o eixo central do desfile da Vizinha Faladeira na Intendente Magalhães. Com o enredo “A Voz que Vem do Mar é Ancestral”, a Pioneira do Samba promete lançar um chamado urgente à reconexão com a natureza, honrando as tradições afro-brasileiras e reforçando a luta pela preservação do mar e da memória.
Autores: Regina, Luciano Fogaça, Orlando Junior, Cecília Cruz, Diego Nogueira, Osmar Fernandes, André Damázio, Claudinho e Julio Pagé
Anoiteceu, misterioso mar. Na maré cheia, vamos embarcar. Não ouvimos o clamor a ressoar, Silêncio que prenuncia a jornada. Como foi que a humanidade se perdeu? Calaram a voz dos ancestrais. Em águas turvas, segredos não mais. Quem sabe dizer o preço da modernidade Que sufoca os batuques desse chão, Unindo a irmandade pra missão?
Vai, Sereia Faladeira, Tuas raízes encontrar. Segue firme a correnteza, Custe o que custar. Um grito de socorro ecoa em coro, A esperança é porta-voz do teu cantar.
No vai e vem das ondas, O cenário da destruição. O lixo domina a imensidão E já não se pode respirar. Quem suja o mar não pode sambar. Oh, mãe! A força das marés vai guiar. Kianda, em teus braços não há o que temer. Teu poder é ancestral, Alerta a todo ser humano: Faz do oceano palco do teu carnaval.
A Pioneira chegou sob a luz do luar, Histórias pra contar. Eis o sagrado festejado na areia, Sambando na beira do mar: vem, Sereia!
Unidos de Lucas
“O povo escreve sua história em um sublime pergaminho”. Com este samba-enredo, a Agremiação de Parada de Lucas revisita as principais revoltas sociais da história do Brasil, exaltando a luta popular como protagonista na construção de uma nação mais justa e igualitária.
Autores: Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Charles Silva, Kaique Gigante, Lucas Martins, Guilherme Kauã, Jefferson Oliveira e João Vidal
É tempo, real liberdade Aos originários que o Brasil esqueceu O falso progresso e a desigualdade Nasce tua ordem, e morre um filho meu Sou muito mais que valor de mercado E está gravado em minha história Herança de Congo e Palmares O sangue da luta ficou na memória Pujança de crioula e de malês É o grito liberto no peito Derrubando o preconceito Rebelando de uma vez
Mais um revel que veio do gueto Impondo respeito pra se libertar Teu decreto é ilusão, não foi fundamento Negro luta, negro canta em movimento
Levanta nação! Teu verbo vai no “front” contra a farda Mentiras dessas cartas assinadas Delírio que pregou o opressor Pra resistir… Protesto contra o imperador Meu Brasil… a sua pátria nunca se calou Quem vive nas margens da sociedade Enfrenta o chumbo da falsa doutrina De punho cerrado, Diretas já! Pra não se entregar a qualquer sina!
É a revolução, reparação da história Deixar na memória um legado de luta Meu povo vem mostrar o seu poder É o Galo de Ouro, é Unidos de Lucas
Independentes de Olaria
A Agremiação da Zona Norte mergulha na trajetória de Jackson do Pandeiro, mestre da síncope, gênio da mistura e rei do ritmo brasileiro. Com o enredo “O Balanço do Cabra que Embolou o Som e, no Compasso da Mistura, Fez um Brasil Pandeiro”, a escola exalta a musicalidade que marca a obra do homenageado, destacando suas raízes, sua genialidade rítmica e o legado que atravessa gerações.
Autores: Cláudio Russo, Marquinhos Beija-Flor, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Leandro Vicente
Do som do silêncio se fez o remanso, E o brejo querido entendeu que o balanço Nasceu na criança de nome José. Ciranda de flora, toada de fé. E o coco brejeiro embala o menino, Cantares da terra moldando o destino. E nessas andanças, a vida é cordel; No agito da feira, parece escarcéu.
Ê fuzuê, meia-noite na baderna, É balancê, mexe braço, mexe perna. É da moléstia, é da gota serena, Olha que “a pisada é essa”, Enlouquece a morena.
O rei do balanço fez mistura E acendeu o dom. O rei do balanço fez mistura: Cachaça com bourbon. Jack soul, Jack som, Já que tudo está no tom. Quero ouvir, quero ver Se o coco vai ficar bom. Encontra Miami e Copacabana, O chiclete e a banana, Capoeira “zum-zum-zum”. “Se é samba que eles querem, Eu dou, eu dou”, Parado eu sei que não fica um!
Olaria é forró, forró de paraibano, Traz o rei do pandeiro, remelexo insano! Chame seu par, pegue ele pelo braço, Só não pode dançar fora do compasso!
Tradição
A apresentadora Gardênia Cavalcanti será o enredo da Tradição no Carnaval de 2026. Com "A Menina do Sertão que Virou Estrela de TV - Gardênia Cavalcanti", a escola levará para a Avenida a história de uma mulher que desabrochou como uma flor no Sertão nordestino e hoje brilha como estrela da televisão brasileira.
Autores: Lico Monteiro, Leandro Thomas, João Perigo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Filipe Zizou, João Neto, Rafael Gonçalves, Salgado Luz, Denis Moraes, Júlio César e Valtinho Botafogo
Voz-primavera, perfume de flor menina Colhe o que a vida ensina, mas não nega a raiz Nas linhas secas, no calor da incerteza Nasce a flor da natureza Chove a poesia em tantos Brasis Como aprendeu com as Marias do sertão Arte é inspiração pro sertanejo sonhar E a fé que existe em seu interior Joia de maior valor Prece pra padroeira abençoar
Ê ê... Chegança Feito dança desabrocha A herança nordestina no pandeiro e no gonguê Essência de mulher, sua história é um poema Faz Santana do Ipanema, sua terra florescer!
Sem tirar os pés do chão, bateu asas e voou Se revelou a estrela da televisão Por trás da tela, brilhou… Chegou a todo lugar Em cada sonho, não deixou de acreditar Fulô morena, a mais bela do jardim (bis)
Mulher... vem apresentar a sua história Que inspira tantas flores na semente Faz dessa vitória o seu bordão: "Vem com a gente", Tradição!
Chama a sanfona pra menina-flor Voa meu Condor, vence a tempestade De azul e branco mostra que é gigante Vem coroar Gardênia Cavalcanti!
Lins Imperial
Para o Carnaval de 2026, a agremiação do Complexo do Lins encontra inspiração na água, elemento divino, símbolo de origem, memória e permanência através do enredo “Macacu - No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação". Em seu desenho geográfico natural, a água está registrada nos topónimos de duas comunidades do complexo: Cachoeira Grande e Cachoeirinha, estreitando a relação da Lins Imperial com esse elemento sagrado.
Autores: Paulo Cézar Feital, Marcelo Tricolor, Sidney Sá, João Neto, Telmo Augusto, Dinny da Vila, Argentina Caetano, Gilsinho da Vila e Ricardinho Professor
É Deus quem traça o destino das águas, Sob a luz do Cruzeiro do Sul. Vem do seu pranto as lágrimas fartas, Das fontes Quizangas de Macacu. Na realeza de Oxóssi, Os traços da natureza, A lenda de uma história de amor. Puris se abrigam na serra, Os bantus, cultura e beleza, Mitologia que vem de Olorum!
A procissão e o som do ijexá Fazem ecoar os rios e cachoeiras. Povo de Oxum… Ilê Axé Omin, Oração das benzedeiras.
Com a bênção da Santíssima Trindade, Imaculada reluzindo em seu altar, Das águas cristalinas renascem flora e fauna, Com o cantar dos sabiás e o imponente jequitibá. Ventre que produz a fecundação, Da terra gerando vida, Traz alimentos e ervas que curam. Ribeirinhos fazem o solo florescer: As águas jamais podem adoecer!
E neste carnaval eu vou te seduzir, Divina fé, feito um ritual. Vou mergulhar e me banhar de verde e rosa, Lavar a alma com a Lins Imperial!
União de Jacarepaguá
A agremiação promete exaltar a relação sagrada do quiabo para as religiões de matriz africana. Com o título “Quingombô entre Dois Mundos!”, a escola vai narrar diferentes itans como o de Ogum, que venceu Obá, uma yabá (orixá feminina), após ela escorregar na baba do quiabo.
Autores: Victor Rangel, Alessandro Tiganá, Herval Neto, Wagner Guerra, Neném do Banjo, Renne Barbosa, Gigi da Estiva, Daniel Paixão, Alexandre Reis e Jonathan Tenório.
Quingombô, na raiz o fundamento, Africano alimento que o mar atravessou. Floresce a herança cultural de um povo ancestral, Que vê justiça no machado de Xangô. É proteção, é axé que cura a alma, Oferenda que emana o poder dos orixás. No meu ilê tenho tudo o que preciso: Quem come quiabo não pega feitiço!
Erê, erê, erê, erá, No xirê da ibejada Hoje eu quero festejar. Erê, erê, erê, erá, Salve Cosme e Damião, Caruru pra celebrar.
Ô mãe baiana, faz fumaça no terreiro, Traz a pitada do tempero brasileiro. Apimentada culinária popular, Uma delícia que encanta o paladar. Prepara a famosa galinhada Com quiabo e angu, Sabor que se espalhou de norte a sul. O banquete tá na mesa, quem vai querer? Bota dendê, bota dendê!
Vem plantar a fé pra colher o axé, Eu sou o fruto que desabrochou. Na força do amalá, Eu quero ver segurar A União de Jacarepaguá!
Acadêmicos do Cubango
A Acadêmicos do Cubango propõe um desfile em que o sertão não é apenas paisagem, mas essência de vida. Com o enredo “O Menino Sonhador do Sertão”, a escola de Niterói promete apresentar um Brasil profundo, celebrando a criatividade, a espiritualidade e a força de um povo que não desiste nunca.
Autores: Obson Ramos, Niu Souza, Vinícius Xavier, Thiago Meiners, Sergio Careca, Rafael Coutinho, Pequinho, Bobby Brown, Anderson Lemos, Manolo, Nego Vinny, Pará da Souza e Miltinho
De pé descalço vai a minha poesia, Feito asa-branca, voa a imaginação. Cada retalho, uma história… fantasia. Mandacaru floresce no “aperreio” desse chão. Os olhos brilham, nunca vi tanta beleza Que inspira a cantoria de cordel. Se “arrudeia”, “bate-coxa”, sobe a poeira, Sob a estrela que “alumia” o menestrel. Lá vem arte na boleia de um sonhador. Ô, ô, ô, ô, ô, ô… venham ver! A alegria chegou!
Pingo de esperança, vento de bonança, Pro “véio” sertanejo “vê chuvê” no sertão. Na lida é vaqueiro, na vida violeiro, Entoando a moda pra Bonita e Lampião.
Me fiz um rei no castelo de magia E sonhei que a brincadeira ganha vida. Quem carrega a fé não sente medo: Meu “Padim”, vem me valer nesse festejo. Mesmo na terra judiada e sofrida, Nossa semente insiste em crescer. No coração menino, sei que meu destino é vencer.
É mais que um sonho, é meu ideal: Esse arraiá já virou carnaval. Vou onde for, por seu verde e branco, Cubango, eu te amo tanto!
Império da Tijuca
A verde e branca do Morro da Formiga abre o segundo dia na Intendente prometendo um desfile carregado de fé, força e resistência com a releitura de um de seus enredos mais marcantes. "O Intrépido Santo Guerreiro" narra a saga do Santo que desafiou a opressão, enfrentou batalhas em nome da justiça e foi eternizado como protetor dos humildes e símbolo de resistência durante o período em que diocleciano, Imperador de Roma dominou a região da Capadócia.
Autor: Bola
Jorge era um bravo guerreiro Que enfrentou batalhas sem nunca temer E com o seu talento natural Chega ao comando da guarda imperial Roma que em tempos distantes Punia os amantes da religião cristã Via o soldado convertido Apesar de perseguido, confirmar sua fé Diocleciano, imperador romano Ordenou a sua execução Se espalhou o culto em sua devoção
Não chore alteza, não chore não O cavaleiro matou o dragão Santo guerreiro, de coração Canta o Império em louvação
E ao chegar no Brasil Com o sincretismo, no tempo da escravidão Foi batizado de Ogum É fogo, é ferro, é graça para cada um Ele é que vence a demanda Seja na Umbanda ou no Candomblé Se hoje tem cavalhada Amanhã tem congada pro santo de fé Quem é fiel, é da guerra É Corinthians na Terra e Jorge no céu
Eu te sinto pelo ar Eu te vejo no luar O Morro da Formiga em procissão Faz a sua homenagem ao santo de devoção
Flamanguaça
A Flamanguaça lança seus olhares para uma das mais intrigantes e fascinantes práticas da humanidade. Com 'Ecos de Sortilégios", a escola rubro-negra vai apresentar um tema que atravessa séculos, culturas, civilizações e continua a encantar as mentes de leitores, espectadores e criadores de narrativas em todo o mundo.
Autores: Daniel Katar, Hudson Luiz, Márcio André, Turko e Rafa do Cavaco
Ecoa o batuque de lá Oh mãe, África! Soprou ventos ancestrais Guardiões nos rituais Raízes mágicas Nkisi … Muthi proteção Aos voduns exaltação Sangoma e seus mistérios Amuleto tem poder No Ifá o meu destino o encanto do saber
O brilho de Isis, a feiticeira Senhora de Heka, faceira É oferenda, crença ancestral Um elo sagrado sobrenatural
Sobe a fumaça no templo das sacerdotisas Num céu de estrelas A luz dos alquimistas Tem bruxaria tem… magia nesse caldeirão O mantra hindu é fé e devoção É curandeiro ê pajelança feitiço e cura Ê curandeiro ê na dança do sol e da lua Reza pra benzer o meu terreiro Com seu axé rubro negro
Sou o canto da massa Sou Flamanguaça! A emoção é te ver vencer, vencer Nossa nação em ritual No sortilégio desse carnaval
Feitiço Carioca
A agremiação do Santo Cristo vem com o enredo “Meu Malvado do Fundo do Coração”, uma viagem nostálgica pelos antagonistas que, mesmo com suas artimanhas, conquistaram o afeto do público. A proposta da escola é explorar a ambiguidade dos vilões que marcaram gerações, passando por clássicos dos desenhos animados e personagens icônicos da literatura e do cinema.
Autores: Macaco Branco, Prof. Carlos Bebeto, Rafael Chokito e Daniel Victor
Deixa o caldeirão ferver (deixa, deixa), A magia está no ar. “Eu tô do jeito”, eu sei que o pecado gosta: Sou malvadão, eu sou Feitiço Carioca!
Não tenha medo E corra pra se divertir. Vou te assustar e também te ver sorrir! Enfeitiçado e criativo em malvadezas, Gargalhadas, espertezas, personagens vão surgir. Ganhando vida, mascarados e vilões, Meu favorito causa alucinações! Arrepiado vai vestir a fantasia… Sucesso de bilheteria essas tais aberrações!
O Charada é vilão na bateria, Põe Arlequina de passista pra sambar. O meu malvado do fundo do coração É arretado, vigarista, trapalhão.
Talvez O imperfeito represente as revoltas, As fraquezas e a nossa admiração. Povoa esse imaginário Atraente e lendário, conquista adoração. O bem e o mal são escolhas da gente, Mas no carnaval dá pra ser diferente! E, por mais estranho que for, Nem toda maldade se opõe ao amor. Nem toda maldade se opõe ao amor!
Siri de Ramos
Com o enredo “Joias do Axé”, a Siri de Ramos mergulha no universo das religiões de matriz africana, exaltando suas formas, cores, símbolos e toda a riqueza dessa tradição ancestral. O desfile promete valorizar a espiritualidade, a força e a beleza que o axé carrega, celebrando a herança cultural que exala nas comunidades e na Avenida.
Autores: Naldo da Portela, PC do Repique, PC Bombinha, Laercio, Marquinho Simpatia, Fagundinho e Fernando de Lima
Orixá guerreiro, Senhor do saber, Alumia meu terreiro Com a chama do poder. Salve o candomblé! Búzios vou jogar, tem rituais, Energia dos metais. Tem fio de contas e balangandãs, Na cerimônia, alforje de Iansã E o quelê pra consagrar, Divindades cultuar.
Bate tambor… ô, ô, ô, ô! Firma no ponto que o Siri de Ramos chegou Pra contar essa história, Louvar a raiz que ficou na memória. (bis)
Lua vem irradiar A luz da alforria que tarde brilhou. A sorte trouxe riqueza Que a negra de ganho No corpo ostentou. Vem conhecer Debret, Que os patuás veio retratar. Nossa Senhora do Carmo Vem abençoar.
Pai Ogum! O seu amuleto é minha fé. De ervas eu me banhei E na Bahia encontrei Joias do sagrado axé. (bis)
Acadêmicos da Abolição
Com o enredo “Chão é Gente. Cultivar, Cultuar e Colher Ancestralidade”, a escola da Abolição ressignifica o conceito de chão como território vivo, sagrado e coletivo, onde memória, identidade e ancestralidade afro-indígena se encontram. A narrativa celebra a diversidade, o pensamento plural e a confluência de saberes como forma de resistência à cromofobia e ao apagamento colonial.
Autores: Lequinho, Cecília Cruz, Fabinho Gomes, Victor Mendes, Zé Moraes e Júnior Fionda
Nego! Eu vim plantar em poesia Pra irrigar sabedoria Do sangue fértil ancestral Somos… o corpo, a alma e o grão A liberdade em profusão Herança Afroriginal Pajé do chão que habita o meu ser A diversidade ao meu ver, cultiva luta e amor Pra combater na selvagem colônia Envenenada de insônia Quem suja seu solo de dor
Ae Ae, Mãe Terra Ae! O dom de cuidar pra ter de comer Finda o meu canto capiongo Traz fartura pro quilombo Já me fiz por merecer
Partilha a fé no roçado, em comunhão Prepara o que é cultuado Bota erva no pilão Esse solo rachado Minha constituição Contra o latifundiário O canto da abolição
Tudo que Velho plantou Vou regar por toda vida Fiz da escola meu terreiro E do samba minha lida
Eu sou fruto da semente, Abolição! São cinquenta primaveras florescendo nesse chão Na minha gente vou acreditar Só colhe a vitória quem aprende a semear
Império de Nova Iguaçu
O Império levará para a Avenida o legado do terreiro de candomblé Kupapa Unsaba. O espaço é uma ramificação do tradicional Terreiro Bate Folha, de Salvador. Com o enredo “Kupapa Unsaba – Morada Ancestral”, a azul e branca da Baixada contará uma diáspora de além-mar: uma semente africana que recebeu todo o axé na Bahia, criou raízes profundas na região, floresceu e segue reflorescendo pelas zelosas mãos de Floripes, o coração dessa dinastia ancestral.
Autores: Samir Trindade, John Bahiense, Renne Barbosa, Herval Neto e Daniel Paixão
Alumiou Na morada dos encantos O corpo arrepiou Joelho se dobrou É Lembá, Lembá Dilê Quem dá demanda Vai Lessengue em seu destino Leva Congo e Angola na viagem Chega ao Rio de Janeiro Pombogira tem a chave Água para o rei Kizomba pra saudar Ilê de proteção, chão de África Muzenza Mabeji, herdeira do axé Em Anchieta, um ritual de fé
Ê Arenguerê, ê Arenguerê Desce o xaxará, vem para curar Chove pipoca, a palha em giro É Unsumbô quem traz o alívio
E na casa de Zumbá De Inkosse e Rongorô A magia de Lembá, onde venta Kaiangô Cada árvore plantada tem folha de Katendê Matukalombô, fartura e saudade Correm os vunjis em liberdade Iyá nos confie o mistério Dobra o couro, o Império Vem de Exu o poder No chão de terra batida A vitória em vida há de florescer Filhos, netos, tantas gerações Vieram retribuir Mametu Mabeji
Bate folha, bate tambor Bate tambor, bate folha Tem xirê na raiz do candomblé Meu terreiro, legado de mulher!
São Clemente
O enredo que guiará a Escola de Botafogo promete ser um espetáculo à parte. Intitulado “Na Tamarineira, é pagode, é carioca, é São Clemente”, a São Clemente mergulha nas raízes do samba ao reverenciar o jongo, o lundu, a Casa de Ciata e os quilombos, conectando a história da música popular brasileira à trajetória de resistência, celebração e identidade da escola.
Autores: Nelson Amatuzzi, César do Ouro, James Bernardes, Hugo Bruno, Dedé Russo, LN, Vando Cardoso, Ronie Machado, Giovani e Vitor Mendes.
Eu sou o tronco forte que insiste Sou raiz que atravessa oceanos Resiste no canto, nasce da dor Do choro derramado, num batuque aportou O jongo e o lundu na Casa de Ciata No Valongo, nos quilombos, minha seiva é libertar Em cada galho, uma “fada” e um pagodinho Bira, Jorge e Arlindo Herança africana a ressoar
Em tom de protesto, sou manifesto Meus versos não se prendem à mordaça “Acorde” em liberdade, floresceu comunidade No canto que agita a massa
Nas levadas virei samba-enredo Escolas fincaram bandeiras No Cacique ergui meu terreiro Santíssima Trindade pioneira Festejar virou liturgia No fundo do nosso quintal A cada herdeiro, um soneto de amor Faz do berço imortal (imortal) Um fiel clementiano Não perde o compasso, feliz a cantar Com dignidade, enfrentar a tempestade Pro show continuar
Firma o partido alto, pro pagode começar Já mandei buscar ioiô, já mandei chamar iaiá Banjo, viola, cavaco, repique e pandeiro São Clemente é quintal de todo partideiro
Acadêmicos do Dendê
A escola insulana vai homenagear a Associação Atlética Portuguesa, símbolo da região, que celebrou o seu centenário em 2024. Com o enredo "No Carnaval dos 7 Mares, vai dar Zebra!", a escola tem como personagem central o mascote da Lusa: a zebra. A narrativa mistura fantasia e memória, com a zebra embarcando numa viagem simbólica por carnavais ao redor do mundo, até retornar ao seu lugar de origem — o clube que marcou a história esportiva e cultural da Ilha.
Autores: Almir da Ilha, Aloisio villar, Dé da Ilha, Waguinho, Rosangela Poeta, Marcelo Martins, Bruno Revelação, Micha, Doum Guerreiro, Rafael Santos, Marquinhus do Banjo, Rafinha da Ilha e Gugu das Condongas
Pelos setes mares viajei Guardo lembranças dos lugares que passei Grandiosos carnavais, que o tempo não disfaz Vi... nos salões toda nobreza nos bailes de Veneza Mascarados se escondiam Desejos e paixões, roubando os corações Mistério arte e poesia e poesia!
Vou navegando pelas ilhas desse mar Pela Martinica eu fui me apaixonar No rufar do tambor a saudade apertou Até parece a Ilha do Governador
De volta ao meu Rio de Janeiro Oh! Minha Lusa, quanta emoção Galopei na fantasia que aqui um dia Já foi tradição O vento soprou a galera explodiu Tem bola na rede o gol que saiu Fiz história em Madrid, tirei onda no Havaí Patin House é alto astral Sou nostalgia, futebol e carnaval
Hoje é dia do meu sonho acontecer Vou cair nessa folia com dendê! No morro se faz samba com certeza Rumo à vitória com a zebra portuguesa
Acadêmicos do Engenho da Rainha
A Acadêmicos do Engenho da Rainha vem homenageando Tomás Santa Rosa, um dos mais importantes nomes do Teatro Brasileiro, com o enredo “Santa Rosa – Negro, moderno, plural!”. Santa, para os íntimos, enfrentou o preconceito racial para comprovar o seu valor artístico e modernizou a cenografia teatral no Brasil.
Autores: Cláudio Russo, Marcota, Raphael Gravino, Gabriel Simões , Renan Diniz , Laura Cavalcanti, Fábio de Souza e Mateus Pranto
Herói de perfil teatral Menino de Engenho Tomas tudo que é teu Toma de posse a luta e o axé Pinta os acordes da roda de samba Faz seu batismo num bom candomblé Retrata a gente esquecida E a vida de mil pescadores Escuta a mãe lavadeira cantando as dores
Nos traços da capa, o dom de ilustrar Coloca no mapa um novo Brasil Um livro aberto pra repaginar A velha memória de um tempo hostil
E segue a revolucionar O gênio das artes, um multiartista Bem “vestido” pra se consagrar À luz da ribalta, preto é protagonista Santa, mistura o popular e o erudito O seu talento bendito Ganha a cena, enfeita o drama Tinge o céu da minha favela De rosa e carmim No risco, o Pierrô e o Arlequim Na Primeira Academia, a arte não tem fim
Eu quero ouvir o Morro do Engenho Tomar a avenida em uma só voz! Em nome da arte, por tudo que tenho: Santa Rosa somos nós!
Unidos da Vila Santa Tereza
Inspirada no verso eternizado pela madrinha Beth Carvalho, a escola vai levar o enredo "Vila Santa Tereza Não Marca Bobeira e Festeja os 45 anos do Cacique de Ramos", que conta a trajetória de um dos maiores símbolos da cultura popular e do samba carioca.
Autores: Cláudio Russo, Marquinhos Beija Flor, Sílvio Romai, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Amaro Poeta
Vem pagodear À sombra da tamarineira E ver todo povo sambar Nosso canto ecoar a noite inteira E recordar o fundamento que Oxóssi enraizou Com as folhas da jurema abençoou Esse quilombo suburbano Reduto onde o samba foi morar O tambor se fez altar Salve o Cacique de Ramos!
Lalaiá, laiá… tô com “água na boca” pra brincar Lalaiá, laiá… eu só quero caciquear
Bate tantã, corta o repique Faz um verso improvisado Pega o banjo e puxa um tom… o pagode tá formado!
Junta um pandeiro e o som de um cavaquinho No terreiro da Uranos que se dança miudinho E os seus frutos germinaram em toda parte Mostrando que o samba é arte, poesia na essência Suas três cores representam seus valores Emolduram seu papel de resistência Aldeia de toda essa gente Semente que eu vou festejar Nem mesmo a força do tempo irá apagar O mestre ensinou que o show tem que continuar!
Eu sou a Vila Santa Tereza Da batucada original É noite de celebração Ao Cacique guardião Do fundo do nosso quintal
Acadêmicos da Rocinha
A Rocinha propõe em "Alafiou! Caminhos Abertos para a Vitória!", um reencontro necessário com suas raízes, suas tradições e com a força da ancestralidade. Os saberes dos terreiros, a oralidade dos nossos ancestrais, as práticas religiosas que resistiram mesmo quando relegadas aos subterrâneos da cultura oficial.
Autores: Lico Monteiro, Fred Lima, Leandro Thomaz e João Perigo
Bate tambor, vai ter curimba Na minha gira de Ogum São tantas flores e veredas Dança ao vento a folha da figueira Respeite a raiz da minha figueira Onde ecoa o adarrum, oferenda no ayê Mensageiro é sentinela, Mojubá, Laroyê! E nas sombras que cortaram a raiz... ajogun O silêncio recolhido agô (agô) É tempo de voar... p’ra Ilê Ifé! Que o destino de Orunmilá Possa confirmar o meu axé!
Sete bodes p’ra Exú, respeito aos eguns A purificação: Oyá! (Oyá) A força p’ra honrar meu ori Ê Patacori! Não deixe seu filho tombar!
Viu nos búzios o destino... Babalaô No Ifá a direção, confirmação! Quem deseja abre caminhos Não segue sozinho na escuridão O cheiro de alfazema ganha a noite Perfumando avenida de axé (axé!) Reluz a borboleta encantada Entre o choro e gargalhada... seus filhos de fé! Rocinha! Como é bom te ver brilhar Teu cortejo é esperança Alafiá!
A Sòrò Dayò! A Sòrò Dayò! Deixa girar... ô deixa girar! Põe erva p’ra defumar, Rocinha! Vitória p’ra coroar... Rocinha!
Acadêmicos de Santa Cruz
A agremiação da Zona Oeste vem com o enredo "Brasil de Mil Faces em um Só Coração", que promete um convite a uma imersão na história e na cultura do nosso país, celebrando sua complexidade e a inabalável resiliência de seu povo.
Autores:Paulo César Feital, Jefinho Rodrigues, Nita, Gilson Bernini, Jaci Campo Grande, Leandro Balinha, Carla da Barreira, Robinho Kisamba, Tuquinha, Rominho do Teo, Marcinho.com, Nem da Baiúca, Douglas Ramos, Ricardo Pimenta, Nito de Souza e Victor Raphael.
Terra sagrada... Onde o povo é a maior riqueza Pindorama, Paraíso Tropical Dádiva da natureza Lar dos tupinambás, Guaranis, Carajas Antes da colonização Já eram donos desse chão Nas crenças e rituais O dom de ser feliz e semear a paz Mistério... Sabedoria A vida em perfeita harmonia
Carvelas ao Mar exploração Sangue derramado pela Escravidão Resiliência Esperança e Fé Resistencia no Quilômbo.. Axé!
E aí, ouviram do Ipiranga, às margens plácidas Tambores de um povo torturado E o Sol da liberdade em raios vívidos Brilhou sobre a nação dos favelados Brasil na independência e na proclamação Caminho livre para imigração Mosaico cultural, nação plural A voz que não se cala, forjada na senzala Samba, capoeira e religião Mil faces num só coração
Acende a chama da Igualdade Pra Celebrar Nossa Diversidade Cada filho desse chão é um ser de luz Avante, Minha Santa Cruz!
Alegria do Vilar
Com o enredo "Regido e Guiado pelas lâminas do Rei da Justiça", a Alegria do Vilar vai apresentar na Intendente a representação de uma ferramenta tão importante para o Orixá e filhos regidos e guiados de Xangô, que é o Oxé, representado por um machado de duas lâminas simbolizando a imparcialidade e a Justiça.
Autores: Leozinho Nunes, Ali Gringo, Dinho Prateado, Luciano Gomes, Mauro Nval,F Frank, T. Nem, Marco Calixto, Reginaldo Soares, Filipe Zizou
Laroyê Exu Mojubá Abre os caminhos pra minha escola passar Kaô Kabecile, Xangô! O seu Oxê corta o mal e não falha Kaô Kabecile, Xangô! Guiado pelo Oxê, sigo em frente na batalha Lá no alto da pedreira reluziu Na cachoeira, entreguei o meu ori Ouço o brado da justiça, que ecoa sem temor Trovão me ilumina, chama que avermelhou Defesa dos filhos do rei maior Do Alafim de Oyó, do Alafim de Oyó
Obá Alaiyê, és o guardião Quem me batizou e amansou o leão A sabedoria, a lei divina em mim Dono do destino até o fim
Toca o alujá... Eô! É barravento, incorpora Yawô Invoca Ojuobá... Eô! Equilíbrio e julgamento... Eu peço agô! Ferramenta pra lição, a sentença e o perdão... A dualidade humana Sustenta a proteção, uma arma em cada mão... Poder que emana Tem Amalá e cerveja preta no Ibá É fogo, é sedução que encanta as Yabás O seu filho atendeu o seu pedido Pelas lâminas guiado, pelas lâminas regido De branco e encarnado a dançar Segue na missão para homenagear
O machado de Xangô, pro destino anunciar É a chama da vitória da Alegria do Vilar
Leão de Nova Iguaçu
Penúltima escola a desfilar na segunda-feira na Intendente Magalhães, O Leão vai contar a história de Maria Felipa, uma marisqueira e combatente brasileira na Guerra de Independência do Brasil, especificamente na campanha de Independência da Bahia na Ilha de Itaparica.
Autores: Arlindinho Cruz, Ali Jabr, Julio César Lourenço, José Maurício, Marcos Vinicius Sampaio, Douglas Guaracemir, Cláudia Rivizzini, Vinicius de Almeida, Alexandre Ribeiro, Frank Tavares, Silvio Romai, Sérgio Igor Castro da Silva, André Zezza.
O mar que nos concebeu a vida Também abriu feridas, pelas mãos do invasor O sangue no chão foi derramado Fez o negro acorrentado entoar o seu clamor Tribos, praieiras, flechas, capoeira Nem o tempo apagou Fez do corpo bandeira, a dor virou rebeldia Na alma um farol que ilumina Vem das Yabas, a ancestralidade Identidade em sua africanidade
Oh, Itaparica... chama da revolta acesa Brilhou nas mãos da Negra Fortaleza Com rede e coragem, venceu a opressão Maria Felipa é força e devoção
A ilha se cobre de fitas E rufam tambores à celebrar Mulheres se tornam rainhas Independência...O triunfo popular Ê Bahia dos Filhos de Ghandi... Afoxé Ê Bahia... somos os filhos do Axé Na lavagem do Bonfim, baianas e seus patuás Nas festas e nos rituais, Olodum, Ylê Aiê Roconcavo do samba... liberdade Alegria popular pela cidade
Mais uma Maria, das Marias do Brasil Valente, Guerreira, sua luta resistiu Muita bravura e fé, pela libertação É Coroada no rugido do Leão
Império da Uva
Fechando os desfiles da Série Prata, a Agremiação da Baixada se veste de devoção com o enredo "Nos caminhos da Fé, o meu sonho anunciou...Salve Nossa Senhora Aparecida, a Mãe Preta do Brasil!", onde a escola vai trazer a história de fé, resistência e esperança do povo brasileiro através da imagem sagrada da padroeira do Brasil.
Autores: Lício Ferreira, Inaldo Botelho, André Luis, Valter Filho, Robson Maurício, Luiz Fernando, Maria Madalena, Oswaldo Ferreira, André Luis Lima, Fernando de Lima, Cremilson de Jesus, Júlio César, Denílson César, Franck Willian, Marcio Delgado, Fabrício Amaral, Thiago Brito, John Douglas, Marco Aurélio, Diego Nicolau, Marcelo Santos, Renan Paixão, Edson Júnior, Paulo Larré e Diogo Pereira.
Sonhei… com a mensagem de Nossa Senhora O sonho conduz a trajetória Mãe Preta mostra o destino, a direção Devoto imperiano, esse sonho é todo seu Vejo que eu não estou sozinho A vela acendeu! Nessa romaria sigo em procissão É a esperança a sorrir Num cortejo de emoção e fé Sonhando com a Sapucaí
Os seus milagres, ouvi Histórias que o povo contou Nas águas, sua aparição Fartura na rede do pescador
Aos seus pés… se curvou a realeza Ó luz dos pobres, dos excluídos Que fez parar o cavaleiro destemido Reza, cantiga e batuque É missa dos pretos Sincretizada é Oxum “Ora Yeyêo” No rádio a tocar A mais bela canção que o mundo ouviu Pra exaltar a Padroeira do Brasil
É um canto de amor no caminho da fé Meu Império da Uva se curva a ti Faz de mim seu altar, o milagre da vida Nossa Senhora Aparecida
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