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Carnaval 2027: confira os sambas-enredo das escolas do Grupo Especial

Carnaval • 21 de setembro de 2026

Carnaval 2027: confira os sambas-enredo das escolas do Grupo Especial

Por Adriano Dias

Publicado em Atualizado em

14 min de leitura

A trilha sonora do Maior Espetáculo da Terra já está definida. As 12 Agremiações do Grupo Especial escolheram ou apresentaram oficialmente os sambas-enredo que vão conduzir os desfiles na Marquês de Sapucaí, entre os dias 7 e 9 de fevereiro.

A trilha sonora do Maior Espetáculo da Terra já está definida. As 12 Agremiações do Grupo Especial escolheram ou apresentaram oficialmente os sambas-enredo que vão conduzir os desfiles na Marquês de Sapucaí, entre os dias 7 e 9 de fevereiro.

As obras traduzem em versos os diferentes enredos que serão apresentados na Avenida, passando por personagens da história brasileira, literatura, ancestralidade, religiosidade, cultura popular e memória do samba. A seguir, confira a relação completa, seguindo a ordem oficial dos desfiles.

UNIÃO DE MARICÁ

Enredo: Utopia Brasil: Darcy Ribeiro

Autores do samba: Moacyr Luz, Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Babby do Cavaco, Vinicius Ferreira, Marcelinho Moreira, Jefferson Oliveira e Hélio Porto.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Desperta pra sonhar menino Na janela do divino já raiou sua missão Quando o império é desatino Utopia no destino cai na indignação Do sacrário verde, fez morada sob o céu Um quase originário, Kaapor e Kadiwéu Atrevido pensamento Contra o aprisionamento No exílio opressor Sua arma foi o livro Permanece ainda vivo Livre em cada educador

Ergue a Zambi um monumento Nessa praça um fazimento Coroando Rei Zumbi (Rei Zumbi) Ao cortejo quilombola Onde o samba faz escola Avenida de Darcy

Boêmio, sedutor, é luz na cegueira Um brinde aos amigos de luta e trincheira Se é perfeita a forma mais concreta Integral, nada discreta, a esperança nos mantém Vida, universidade, pra afastar toda maldade de moer gente de bem! Pra gente ser feliz, reforma o tal progresso Fracasso é um sucesso quando fala o coração Tantas peles eu vesti… Pra que todo favelado vá sonhar como Darcy

Meu país é Maricá, utopia mãe gentil Nunca pare de lutar pra mudar esse Brasil A vitória popular nessa pátria tão hostil É educar um filho da mãe solo que pariu!

BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS

Enredo: Zeneida: O Sopro do Pó de Louro

Autores do samba: Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Voltei guiada pelo vento Trago cada elemento que da natureza emana Auí fez de mim seu instrumento Sob a lua o encantamento da magia Caruana Do Girador, princípio e criação A Pajerama então Anhanga foi flechar Dezessete dias amarrada no cipó Eu, filha das águas, floresci em minha fé Foi o meu chamado, mas eu não estava só A mata me assentou pajé

É de pena e maracá! É de pena e maracá! Eu sou cabocla com herança africana Mestre Mundico me ensinou A dar o nó em caruá! Eu tenho a alma nilopolitana!

Eis-me aqui o tronco forte que nasceu Marupá Raiz do Norte, sem jamais se curvar Que Mãe Nazinha abençoou Quem desvelou a missão dos ancestrais e construiu Enraizou o fundamento que liberta o Brasil

Vem no balanço do siriá Marujada e carimbó Quem ensina é Aguaguara No curumim vi o futuro no olhar A Baixada a invocar A força marajoara

Do povo eu sou, muiraquitã Pajé Zeneida, soberana, campeã

(Incorpora)

Ê… incorpora, caboclo! Incorpora, caboclo! Quero ver incorporar! Do ventre do meu Pará, o pó de louro soprou Comunidade, Caruana Beija-Flor!

PARAÍSO DO TUIUTI

Enredo: Ciata - A Mãe Preta do Samba

Autores do samba: Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Brilhou no meu olhar o espelho de Oxum Cantou o primeiro galo na tez da manhã Rezei pro infinito Olorum Ao sabor do Omolokum Na batida do Ogã Sou mandingueira da velha Bahia Da Gamboa à Saúde rodei no terreiro Saberes que não vão pra academia Meu filho, sobram no meu tabuleiro Poeira sobe, o cenário muda Deus nos acuda, do “Bota-Abaixo” Que esta cidade não se meta à francesa Ela é preta na beleza até a raspa do tacho

Bota dendê! Bota dendê! camará No caruru do erê No acarajé de Oyá Quem vai querer? Quem vai querer? camará Um mugunzá de colher Doce de coco e manjar

Na esquina do Ouvidor Um apontador vai rabiscar A justa enquadrou uma yaô do Alabá Pro Chefe da folia e do choro Carnaval é Rei de Ouros Candomblé e resistência O batente acabou eu vou Tentar salvar a Excelência Nesse terreiro de macumbeiros, artistas Poetas e jornalistas, ô gente bamba Sou de massemba, Yabassê, Tia Ciata Mãe baiana do Tuiuti e do samba

Sou Yalodê, Yalodê Orô Sou Yalodê, Yalodê Orô Firmo ponto riscado Meu quilombo chegou Firmo ponto riscado O quilombo do samba chegou

UNIDOS DE VILA ISABEL

Enredo: Torto Arado: Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte

Autores do samba: Martinho da Vila, Evandro Bocão e André Diniz.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Sou a voz da encantaria Das memórias e magias Tortuosa travessia que o destino reservou E a poeira anuviou A cobiça inebriante lapidava diamantes Num terreno traiçoeiro Muito rico e feiticeiro Era tanta terra pra plantar Quando a pedra parou de cantar Não é doce o mel da cana, sinhá E adeus pra Caxangá Água Negra, sol abrasador, casa de barro E uma gente de valor

Na brincadeira, o batuque do Jarê Rodo na gira do corpo pra corpo benzer À luz de um velho Nagô, o lume de lampião O caruru na tigela, comendo com a mão

Mas tudo não finda quando cai o curador A professora dá as mãos à profetiza Nos dramas, na lida, na fé e no amor Mulheres destemidas não se calam Contra injustiças e grilhões E a luta pela terra vai seguindo gerações

A semente que ficou é se juntar Dividir o que plantou, e se a vida derrubar Enxugue o pranto, te levanto pra lutar

Nas páginas de um livro admirado Torto Arado é retrato brasileiro A nossa Vila, mais que uma escola Aguerrida quilombola, risca o chão desse terreiro

MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL

Enredo: Latinamente Independente – Nosso Norte é o Sul em Remanifesto

Autores do samba: PC Feital, Alex Saraiça, Denilson do Rosário, André Russo, Carlinho da Chácara e Fábio Bueno.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Desperta pioneira No verde da bandeira OdéKomorodé me empresta o seu ofá É hora! Do hemisfério oprimido Ter o mapa invertido pra Jurupari lutar Choramos Por tanto sangue derramado Entre a fome do mercado e a fúria d'ambição Pois eles são capatazes da alegria Opressores da harmonia, carcereiros da ilusão Latino em tua alma matarás Os soberanos de alcatraz Pero sin, perder lá ternura jamás!

Eu sonhei com Obatalá e Tupã lá no Orum Caetés na Casa Branca, a Colombia e o Peru Na soberania plena todos juntos somos um Pindorama era o Quilombo dos saberes de Ogum

Os sabores do amor tem punhados de alegria Preparados no calor da rebeldia Peço, ao Norte não repita o amargor de tanta ausência, No Brasil, meus companheiros são heróis da resistência Atahualpa se uniu a Tupiara E gritaram fortemente não assalte as terras raras Sou de Tupã com ascendente em Pachamama No suor que se derrama e na dor que se escancara Independente, eu sou desobediente Tenho molho e sangue quente e não faço concessão Tome tenência e sossegue logo o facho Que meu filho vire o mundo de cabeça para baixo

Toca o agueré, pra fazer revolução Toca o agueré e respeita essa nação O meu norte sempre foi, nossa pátria mãe gentil Mocidade independente do Brasil

UNIDOS DA TIJUCA

Enredo: A Cabeça do Santo

Autores do samba: Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Mainha, do céu, vem me abençoar Mainha, me guarda em teu colo A luz da saudade vagueia no olhar No brejo, a casinha, o sereno Memórias que o tempo não pode apagar A fé que deixaste a mim, acalma minha solidão Ainda que o medo machuque meu coração Delírios plantados em terra rachada Florescem num rastro de dor

Será que a estrada esconde o segredo do amor? Será que a estrada revela o segredo do amor?

Vá de retro, Belzebu, não me venha assombrar Padim Ciço me proteja, São Francisco vai curar Nas veredas da ilusão, sertão já virou mar Quem cultiva caridade, caridade vai achar

Ê, batuque em terreiro de arraiá! Gingado, balão, festim, panela de mungunzá Abre a roda que o cabra incorporou Cabeça do Santo herdei, Cabeça do Santo sou!

Preces de nativas em cortejo Vozes de esperança e devoção Guiado pelo fogo do desejo Ofereço minhas bênçãos à mais pura adoração

Ô Toinho, meu pai, peço perdão! Ô Toinho, meu pai pede perdão!

Tijuca, ao lume do teu candeeiro O sonho de um simples vaqueiro Que Mãe batizou Samuel Tijuca, milagre encontrei em Rosário No Rio, em teu santuário Meu Juazeiro é o chão do Borel!

Em terra de fé, brotou o fruto da oração Traz viola, meu sinhô, a sanfona anunciou Tem festança no sertão (Vem sambar no meu baião)

ACADÊMICOS DO SALGUEIRO

Enredo: Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História

Autores do samba: Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Carlão.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Arreda, homem, que essa preta vai girar Meu tambor vai ecoar em resistência! Evoco as divas, as Marias, as baianas Depravadas, puritanas, pra clamar nossa insolência! Exu comanda esse terreiro Eis aqui o verdadeiro nome de sinhá Francisca, mãe da encruzilhada, rosa indomada, deusa da rua! Na procissão da Academia, negra fidalguia se perpetua

Incorporei no atabaque do meu torrão Festa de ostentação ao poder da negritude Dilacerei as vestes da servidão Meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude!

Nas lentes de outros olhos O foco na nossa verdade é menor Tal qual a trama da atriz Que encenou, de uma vida, um capítulo só Eu, que já fui outras Xicas, refaço o roteiro, no chão que me fez triunfar

Gira, desce o morro Meu Salgueiro, meu quilombo pioneiro, renasci nesse gongá! Firma axé na segunda-feira, é macumba a noite inteira Saravá, alafiá

Mãe, guardiã, fruto do afã De um ventre escravo e um nobre senhor Matriz, mecena de toda arte Que leva em seu estandarte, a simples audácia do amor Louvai, Brasil! A filha de Òrun despertou!

Laroyê! Xica da Silva! Laroyê! Ê Mojubá! Toda mulher tem direito à própria história Meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Enredo: A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia

Autores do samba: Me Leva, Thiago Meiners, Gabriel Coelho, Herval Neto, Bernardo Nobre e Guilherme Macedo.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

É baque virado do Congo, cortejo de coroação Essa loa traz mistérios de uma história feita à mão

Desde o tempo que ouro é marfim A nobreza nasceu em mim E desfila o seu esplendor Lá no Recife, quando a corte invade a rua Abre caminho pra falar de Dona Júlia Dona Santa subiu pro Orun, a calunga incorporou

Tem mistério a mandinga que seu filho assentou

Ô Babá… na Imbuia, o Egum da Rainha Epa Babá… na madeira, o Ori de Oxalá

Ao partir seu pai de santo Foi guardada em desencanto Onde a vida vira conto Quem sumiu, se fez achar

Nas tradições do Xambá Retorna seu Ilê E o ritual vai novamente começar

É galinha-d'angola, farinha, é sangue no couro Sassanha pra folha de boldo Copo d'água, fumaça e acaçá Foram três dias de resguardo no roncó Feitiço que corta nó pra boneca reencantar

Dama do Paço levou pro baque das ondas Partiu do Pina, um cortejo a desfilar E num silêncio que tudo dizia Os tambores cantariam por quem foi, mas vai voltar

Meia-noite, meia-noite... eu vi a terra tremer Senhora dá passagem pro povo do Orun descer (Senhora dá passagem pro povo descer pro Ayê)

Oyá, Oyá... Ê Lari Ô Oyá Ibalé Oyá, Oyá... Ê Lari Ô Oyá Ibalé

Que meu Ogã evoque um ponto de macumba Pra ganhar a rua, a Imperatriz do Candomblé

PORTELA

Enredo: Ao Mestre, com Carinho

Autores do samba: Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrosio , W. Correa e Rafael Gigante

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

A benção, meu velho Chegou o momento sonhado Prazer reviver seu legado Tocar o passado de um tempo menino Viver o encanto do mago Monaco Solar no cavaco o seu belo destino Usar Panamá com a sua elegância Vender nosso peixe com todo respeito Pro nosso gosto, se o samba tem rosto É o seu não tem jeito

Pra entender tem que ter um A De amor, e um quê De Madureira na alma Tem que ter a luz Carregar no peito Oswaldo Cruz

Agora uma enorme saudade devora A simplicidade hoje mora Na voz que me transmite a paz Oh! Linda inspiração, é o samba em devoção Os ensinamentos não morrerão jamais Eu sou a sua eterna continuação Peço a Deus e a Santa Conceição Estendam o manto azul, que nos pertence Ao mestre com carinho A águia do meu ninho Vive em cada Portelense

E por falar de amor, dos que não vão terminar Falar de Monarco, meus olhos vão marejar A “velha guarda” teu sorriso na lembrança Eu sou Portela desde os tempos de criança!

UNIDOS DO VIRADOURO

Enredo: Griô

Autores do samba: Mocotó, Paulo César Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Marcio André Filho

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Agô, bate palma de macumba Pra saudar dono da rua Vira o corpo no terreiro Ventre que moldou o fundamento E o véu rodeia o tempo, esse velho feiticeiro

Quando Ananse bordou os fios de prata Colocou na cabaça o dom do saber O tom da palavra, a força e o poder Do Igbá que se quebrou Pelo mundo espalhou Na voz dos mandingas se fez poesia Lindas melodias e cantos de amor

Eu fui griô à luz de um (num) baobá Contando histórias de emocionar Em volta dele, mais de mil crianças A cantar lembranças ao som do korá

Lágrimas caem pelo mar do esquecimento Ritual opressor África, tradução de todo ensinamento Carrego na minha cor Verbo eternizado É alvo acertado contra a maldade Sagrado é guardar os segredos Pro mundo saber

Dança de jongo embala meu ponto Tambor de Congo faz acender Outros enredos que um dia terão de nascer

Samba, escola, viva entidade Arquivo da memória preta Grito à ancestralidade

Ẹ káàlẹ! Ẹ káàlẹ! Ô Ziri Ziri Namu, Kouyaté Ẹ káàlẹ! Ẹ káàlẹ! Ô A Viradouro é sangue de griô

ACADÊMICOS DO GRANDE RIO

Enredo: Sankofa Tabon, Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade

Autores do samba: Deré, Licinho Jr., Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Igor Federal e Gustavo Clarão.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Sankofa! Em suas asas vou buscar minhas raízes A travessia não apaga cicatrizes Eu sou história, ouro de mãe, negro ancestral

Ave sagrada! Ainda me lembro do navio agourento A dor do meu primeiro atravessamento Venci o drama, eu sou a trama atemporal

Retorno no caminho das marés No entorno... outro sentido, outro viés Será... que levo a luta dos Malês, será? Será... que é tudo que se fez pra libertar? O povo preto nesta terra que me adotou

Um sol à frente, bordado "Kente" Ekome Feemo!!

Meu olhar marejou, Mareia No encontro que Nyame abençoou O clarão da velha lua cheia Na pedreira do meu pai Xangô

No brilho do povo Akan, Adinkra simbologia Conheço da gente irmã, sabor e sabedoria

Tabon, eu me sinto em casa Tabon, eu vim pra ficar O amor acendeu a brasa Com asas eu quis voar

Liberdade ao som do agbê Liberdade nos palmos deste chão Meus filhos irão erguer o tempo de reparação Meus filhos irão erguer um país com a Gana Da força africana e chamar de nação

Oh, estrela! Estrela de toda negrura Na bandeira, a Grande Rio Traz de Gana a bravura!!

ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

Enredo: Oyá por Nós

Autores do samba: Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim.

LETRA COMPLETA DO SAMBA VENCEDOR

Quando toca o Adaró Somos tantas numa só A nação evoca minha mãe Iansã Vira tempo, tempestade Pra varrer toda maldade, sob os raios da manhã

A Eparrey! Meu povo é trovoada O tambor do recomeço Quando vira a encruzilhada Sou rebeldia de Oluafefé Pele de búfalo no corpo de mulher

Afuléle Adê Ô, deixa incorporar Olonifè de Ogum, forja pra lutar Paixão que atiça, fogo de Akará No coração de Xangô, deixa ela girar

Yá Mesan Orun Treme terra, desce o morro, sobe o run... é guerra Bate o Oguê que o sangue tem dendê Tá pra nascer quem manda nela

Ela dança no Ilê Axé Dá caminho no Axexê Faz do seu furacão, balé Dona do Ajerê

Meu Ori, tua coragem, liberdade Obirin Porque não existe macho que levante a mão pra mim

É que eu sou preta macumbeira e de Oyá Sou ventania que ninguém pode afrontar Colo de Ketu, solo do gueto, força de Orixá Quem tem fé na quarta-feira sabe que eu não ando só

O Brasil da intolerância eu despacho no Ebó Nada fica no caminho, a rainha vai passar Segura que o Xirê vai começar

Oyá Tetê, Oyá Tetê, Oyá Oyá Tetê, Oyá Mangueira Yabá Ê, mamãe! Traz de novo teu axé Relampejou pra vitória... Motumbá Lè

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